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sábado, novembro 16, 2019

"JOIAS DE CRIOULA" - A ourivesaria do período escravocrata no Brasil




" JOIA DE CRIOULA "

Existem alguns capítulos a serem escritos sobre o período escravocrata no Brasil, entre eles está o que diz respeito as " Joias de Crioula", a alguns anos tão apreciados por diversos colecionadores no Brasil e no Exterior. Muitas das vezes, muitos creem que estes típicos adornos em prata e ouro, eram propriedades dos escravos que serviam por trabalhos domésticos a Casa Grande, mas na verdade estes adornos valiosos pertenciam ao Senhor que os compraram, e de forma vaidosa de ostentar sua opulência e riqueza, quase que obrigavam os " escravos domésticos" a usarem, para poder dizer aos visitantes que nas suas propriedades até os animais desfilam com preciosidades. Outro detalhe que me parece muito importante, e que eu humildemente nunca vi sendo abordado, é quanto a feitura destes originais adornos, que muitas das vezes seguem elementos e alegorias próprias da mitologia religiosa e cultural africana. Devemos lembrar que os oficiais de ourivesaria na época eram quase em sua grande maioria portugueses, temente a Deus e as regras rígidas do Clero e por conta disto e de outras questões sociais não se prestariam ao papel de confeccionarem adornos muitas vezes com adereços pagãos, demoníacos, hereges segundo a doutrina firme da Santa Madre Igreja, por valor que lhe fosse oferecido. Sendo assim, tais enfeites e adereços de uma forma geral hoje conhecidos como " Joia de Crioula", não foram feitos pelos oficiais ourives portugueses e sim pelos auxiliares negros, que possuíam uma certa autonomia de criação, que eram chamados de " escravos de ganho ", por que de certa forma eram recompensados pelo Oficial Ourives, todas as vezes que confeccionavam adornos bem criativos dentro de sua própria fundamentação regional, artística, cultural e religiosa pagã quando entregues e por vezes eram elogiados pelos "Senhores Contratantes". Sendo assim, fica desmistificado como estas joias tem em sua grande maioria elementos pagãos em dissonância criativa com os padrões da oficial ourivesaria da época no Brasil. A exemplo disto, podem ser vistos, chifres, tambores, figas, cuias, cabaças, botas, chaves, cadeados, bonecos de feitiço, frutas, peixes, cachimbos, instrumentos musicais nativos, conchas, búzios, garrafas, chicotes entre tantos outros elementos próprios da cultura negra da época.


Ricardo V. Barradas          .