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terça-feira, fevereiro 07, 2017

7 DE FEVEREIRO - Aniversário de Clementina de Jesus.







Clementina de Jesus da Silva


 (Valença, 7 de fevereiro de 1901 — Rio de Janeiro, 19 de julho de 1987)




Clementina de Jesus, cantora, nasceu na cidade de Valença no estado do Rio, mudando-se com a família para a capital do estado e radicando-se no bairro de Oswaldo Cruz. Lá acompanhou de perto o surgimento e desenvolvimento da escola de samba Portela, freqüentando desde cedo as rodas de samba da região.

As cercanias do Município de Valença traz até hoje uma herança cultural negra muito forte, ora pelas muito antigas fazendas engenhos da cana de açúcar ora posteriormente pelas fazendas do Vale do Parahyba, dos abastados Barões do Café.

Particularmente entre minhas pesquisas de campo sobre as matrizes da cultura negra, foi nos arredores da cidade de Valença onde me deparei com os negros mais tintos, ou seja como menos miscigenação étnica. Não que isto, em tese tenha haver com a melhor ou menor qualidade da matriz a ser estudada. 

Vale lembra que foi nesta região das planícies fluminense, mais precisamente em Vassouras que no século XIX, na província do Rio de Janeiro que aconteceu a grande rebelião de escravos no Quilombo de Vassouras, mas a revolta foi prontamente interrompida pelas forças imperiais.

Por mais que a maioria da educação brasileira coloque o Quilombo dos Palmares, como um dos ícones mais importantes da resistência negra contra o trabalho escravo negro, esta conotação é errônea, até por que o negro africano recém chegado as terras brasileiras não tinha o menor conhecimento da nossa flora, nossa vegetação alimentícia e curativa, de nossa fauna, e muitos deles
" recém cativos fugidos " não conheciam a região e a direção que melhor seria para evitar a recuperação pela caça dos temidos Capitães do Mato.Sendo assim o que o Brasil ainda não contou de forma clara é que o Quilombo dos Palmares, foi sim um dos maiores e mais importantes locais de resistência contra o trabalho escravo: índio e negro, sem a união e a comunicação entre estes dois seguimentos grande parte da história não seria possível. Uma das maiores evidências que sempre reforçou esta minha tese desde os anos da década de 1970 , é fartamente encontrada na culinária das
ofertas e obrigações religiosas das várias correntes, nações e casas do Candomblé. 

O ano de nascimento de Clementina de Jesus é 1901, dentro do que se deve estimar ou atribuir. digo isto por que minha avó materna Leilah Lima Vianna nasceu em 1905 , em Campos dos Goytacazes e falecera no Rio de Janeiro em 2007, e por um histórico familiar do norte fluminense sabemos que era o "local luz" onde o ciclo da cana de açúcar estava fervendo, vivia os anos dourados de seu apogeu em terras fluminenses, tanto que foi a cidade de Campos dos Goytacazes ser a primeira cidade do Brasil e da América Latina a ter energia elétrica, em 1883. E mesmo assim, o registro dos filhos pequenos, por conta de um alto índice de mortalidade infantil, principalmente em área rurais , eles os registros que não eram gratuitos eram postergados até aos 6 a 8 anos, quando a família tivesse mais certeza que a vida da criança "vingou" - em outras palavras, ia continuar. Sendo assim, o ano de registro de minha avó era 1905 mas ela lembrava que já não mamava a muito tempo quando foi registrada.

Clementina de Jesus era devota de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, de forma específica a Ordem da Gloria do Outeiro tem toda uma ligação com a Casa Imperial
Brasileira, pois depois da antiga Catedral ao lado do Paço Imperial foi no outeiros as
principais celebrações oficiais dos nobres no período imperial. Existe também passagens
que indicam a antiga ordem do outeiro como um reduto de encontros de abolicionistas.

Em Campos dos Goytacazes, temos até hoje a Igreja da Irmandade de São Benedito, que é uma das mais antigas irmandades do Brasil e sei que lá desde o
século XIX teria uma Ordem de São Benedito em comunicação direta com a original  " Ordem de São Benedito dos Homens Pretos " e a Irmandade Nossa Senhora do Rosário, na cidade do RJ, que sabemos que ambas irmandades foram fundadas por devotos de São Benedito, abolicionistas, homens negros livres e escravos.

Estas questões eclesiásticas católicas do período escravagista ainda são um pouco nebulosas, até por que a Doutrina Cristã da época não admitiam que os negros escravos tinham alma, e que obras realizadas por tração animal negra escrava eram obras impuras e por tanto imperfeitas, não merecendo o jubilo eclesiástico. Mas prefiro não entrar nestas questões, até por que não existem trabalhos acadêmicos sobre este período escravocrata brasileiro sem a romantização maquiada pelo embranquecimento da cultura imposta pelo Estado Novo e os Anos de Chumbo.

Mas voltando a Valença, no RJ, terra natal de Clementina de Jesus, foi um pouquinho a seguir, no Município de Rio das Flores que tive a alegria de fazer parte do projeto de fundação do primeiro videoclube no Brasil a homenagear o primeiro cineasta negro brasileiro a ter reconhecimento nacional. Waldir Onofre foi o primeiro cineasta negro a ser reconhecido no país como diretor e roteirista. Seu longa metragem " As Aventuras Amorosas de um Padeiro", 1975, produzido por Nelson Pereira dos Santos e inteiramente rodado em Campo Grande com grande elenco, fez enorme sucesso de público quando lançado.

Tanto em Valença, em Campos dos Goytacazes no RJ, em Salvador na BA, em Belo Horizonte e em Ouro Preto em MG, o que poucos sabem e que deveriam já saber que 
na verdadeira história do Brasil , a instituição que mais promoveu a defesa, a proteção,
a compra de alforrias, e participou de todas as principais lutas em favor da Abolição dos Escravos, no Brasil e no mundo inteiro, foi a Maçonaria.

Infelizmente o estudo acadêmico da história no país ainda é repleto de posições e posturas supersticiosas e religiosas, sem contar na pouca compreensão sistemática do que esta e outras fraternidades na verdade foi e é até os dias de hoje.

Mas seria de estranhar se uma fraternidade como a maçonaria que tenha tido um importante papel na Revolução Francesa, estivesse aqui no Brasil com irmãos maçons tais como : José Bonifácio, Eusébio de Queirós, Lopes Trovão, Ruy Barbosa, Visconde de Jequitinhonha, Joaquim Nabuco, Castro Alves, Carlos Gomes, entre tantos outros fossem estar aqui e alheios a verdadeira história da Independência do Brasil,da Abolição dos Escravos e da Proclamação da República. 

Ainda há muito por dizer...da mesma forma que ainda tem muito para cantar como Clementina de Jesus cantava, a musica das senzalas e o canto do trabalho nas plantações rurais...a verdadeira MPB que o Brasil com sorte um dia vai aprender como é de verdade lá fora por que por aqui está cada vez mais difícil de aprender, pois a maioria dos nossos mestres de cultura populares estão partindo e muitas das nossas raízes culturais estão indo nas mesmas viagens...


Ricardo V. Barradas.







  




quarta-feira, maio 08, 2013

Bayard Boiteux em Foco - Fazendas do Vale do Cafe

http://youtu.be/IF3csDuZ2Rw


Enfim uma nova tentativa para revitalizar as Fazendas de Café do Periodo Imperial Brasileiro.

Existe sim um necessidade de politicas culturais publicas e privadas permanentes - por tempo e duração indeterminada ara s Fazendas de Cafe´da Planície Fluminese .Digo isto por que as diminutas tentativas que já ocorreram neste sentido estiveram diretamente ligadas a partidos politicos que maquearam por ações meramente eleitoreiras alguns pontos por algum tempo mas no conjunto muito pouco fizeram.Estas políticas devem ser de institutos, empresários e governos locais comprometidos verdadeiramente com a causa.

Alguns anos fiz projetos e propostas junto a prefeituras da região para a realização de uma publicação referência de todas as Fazendas....umas preservadas e outras nem tanto...mas mesmo antes de buscarmos subvenções municipais como agrado e/ou incentivos, ou mesmo recursos promocionais para que os proprietarios de antigas fazendas possam se interessar por uma recuperação visual da fachada de seus patrimonios....mesmo que no caso da intentona editorial fariamos uma restauração digital mais idiata bem próximo da imagem que eram no seculo XIX por meio de software de imagem.

Sei que existe uma publicação no estilo mas privilegia e contempla só algumas fazendas.
Eu pelo menos não conheço uma publicação referência neste sentido do conjunto das quase 100 Fazendas de Café da região....sendo assim até dificulta a visibilidade de outros perante tamanha potencialidade turística regional....Por isto que acho que o primeiro passo seria uma publicação das fazendas democraticamente estabecendo o marco zero de um novo tempo de uma única e efetiva politica cultural séria e madura neste sentido...

O primeiro passo seria um breve mapeamento, e a publicação das Fazendas da região com um breve histórico de cada uma.

A seguir seria um inventário profissional cultural de toda a região....que é um trabalho difícil e demorado.....no caso que propus acima a alguma secretárias ....e para uma prefeitura da região...tinha como meta fazer um inventário artístico e cultural local.....principalmente do que trata de patrimonio religioso....pois a grande maiorias das paróquias não tem este inventário e quando tem foi realizado de maneira pouco profissional razão pela qual não savalguarda nada e quando subtraidos fica quase que impossível recupera los....e quem perde sempre é o povo....a população local....Este inventário atual artístico e cultural local é importantíssimo....para esboço de qualquer ação, projeto, estudo, e politica cultural local....até por que sabemos que a maioria do acervo hoje existente em locais ditos mais ou menos preservados na maioria das vezes foram adicionados sem qualquer critério de estilo ou época....só por terem preços convidativos para preencherem antigas, velhas e vazias fazendas largadas a própria sorte.....os profissionais da area sabem que muito pouco dooriginal material ficou....

Não que não tenha restado nada.....restou sim....e algumas nem restaram por que ainda estão abandonadas....é preciso fazer um inventário profissional a altura da importância e significado artistico e histórico desta impar região.Da mema forma que deve ter critério com estes mapeamentos da cultura imaterial que tem sido feito por algumas instituíçoes ditas educacionais mas que trabalham indiretamente para multinacionais do espetáculo...
Isto é muito perigoso.....a sociedade civil local deve bloquear vertentes que odem desastrozamente tornar moimentos quilombolas....colonias agricolas locais....folias de reis...o próprio reisado fluminense....como um show espetacular sem a preocupação de indentificar, registrar, e preservar....o patrimônio imaterial desta tão rica região não deve ser produto de cobiça de grupos poderosos da comunicação nacional e internacionais.


Partindo das festas populares e das tradições do chamado patrimônio imaterial devem promover uma agenda cultural própria e edificadora local para a região....não as nocivas agropecuárias que viraram moda e só previlegiam as multinacionais do
agro-negócio....ou eventos que não agregam valor algum a região e levam para elas uma população flutuante e bárbara bem diferente do perfil do turista cultural...como são exemplos os circuitos e trilhas do ciclismo e do motociclismo....tão comum em diversos municipios da região mas pouco promissor para o todo....

Cada região deve promover e incentivar uma agenda própria, edificante e personalíssima.....Nada contra....até por que sou da cultura e não tenho preconceito algum....mas convenhamos que um Festival de Funk em Paraty ou um Festival Gastronomico Colonial no Complexo do Alemão....é ir longe de mais....vamos edificar junto as nossas verdadeiras vocações e cultura.....

Parece que estou aqui falando ações grandiosas de muitos milhares de dólares como sonho é viagens de qualquer mega gestor de cultura....mas não estou não ....estou sim falando de ações menores mas bem orientadas para que trabalhem e movimentem a região compreendida para uma determinada é lógica direção....deve se mesmo promover a re-integração e participação cidadá cultural local.....gradativamente e resgatando algumas potencialidades recém esquecidas.....A solução turística local deve ser desejo local e cultural de todos...mas só será possivel se conseguirem paulatinamente mudarem as cabeças e os comportamentos dos jovens, dos visitantes, da população trabalhadora e das classes economicamente ativas da região.....a verdadeira mudança para ser verdadeira tem que começar de dentro.....e para valer a pena e ser efetiva....

Estou escrevendo de coração puro....sem qualquer amarra institucional....e sem correção ortográfica e sem potuação alguma....risos...rsrsrsrs....Não sou ligado a partido politico algum....não sou funcionário público...sou sim um ativista cultural livre......Sou da Educação, das Artes e da Cultura....sou um homem livre ligado a outros homens livres e de bons costumes.....que exercemos nossas patentes de brasilidades.

Quero crer que pessoas como a Sra.Martha Maria Lopes Pontes, Prof. Bayard Boiteux, o  Preservale, e o  www.espiritodovale.com.br  ,

entre outros movimentos no mesmo sentido, consigamos levar a frente de forma efetiva esta necessidade turística fluminense.... e que o Estado do RJ....acorde e veja...e exerça sua faculdade e função da economia turística cultural por todo Estado de forma mais democratica e mais ampla.Mesmo assim o mais cêdo possível....enquanto ainda temos história e cultura para serem resgatadas e transformadas pela economia criativa local.