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quinta-feira, março 30, 2023

JOIAS DE CRIOULA por Ricardo V. Barradas






JOIAS DE CRIOULA


 As jóias de crioula, adornos confeccionados em ouro e prata, presentes na comunidade afro descendente escrava e liberta brasileira dos séculos XVIII e XIX, se subdividem em três ramos. O primeiro das jóias, confeccionadas pelos senhores escravocratas que adornavam as escravas que serviam como empregadas domesticas a residência colonial, como símbolo de opulência e poder. O segundo, das jóias de axé, confeccionadas por razoes devocionais as matriarcas das casas de santo, da cultura das religiosidades afro brasileiras. O terceiro, as jóias confeccionadas pelos escravos de ganho, auxiliares dos oficiais de ourives, para adorno das ex - escravas alforriadas como símbolo de afirmação de liberdade na sociedade, por prestigio e poder. Usadas abundantemente durante as festas dentro da comunidade da época.

Entre os círculos de confecção das famosas jóias de crioulas, muito romantizados existem alguns hiatos pouco abordados pelos historiadores. O primeiro é quanto ao material, pois a prata por não ter extração no Brasil Colonial era mais nobre que o ouro. Outro seria sobre a confecção delas pelos escravos de ganho pois não eram feitas pelos oficiais ourives portugueses, pois os mesmo produziam os utensílios religiosos católicos e estavam impedidos a confeccionar adornos para animais. Por mais dramático que pareça, era está a posição oficial religiosa católica da época, seres sem alma, inventariados e comercializados como tal. A humanização aparece por alguns autores com o estudo posterior deste período nefasto escravocrata brasileiro.

As jóias de crioula produzidas no período escravocrata brasileiro dos séculos XVIII e XIX, tem por confecção e acabamento quase formas de artesanato e de forjaria de ferreiros, já que eram produzidas pelos escravos de ganho. Isto explica a simplicidade das formas e a repetição dos elementos, que não resultavam das técnicas da joalheria européia da época, aprimoradas dos prateiros e oficiais ourives portugueses. Em sua grande parte são de pratas, algumas com vermeil combinadas a elementos naturais de adorno, como o coral baiano, a casca do coco, o jacarandá, o marfim de diversos tipos de animais e o casco de tartaruga. O ouro quando aparece costuma ser de baixo teor e sobretudo em pequena quantidade, como detalhe.

Ainda sobre o capitulo das " jóias de crioula" é importante ressaltar e esclarecer que a Igreja Católica no Brasil dos séculos XVIII e XIX, não era uma religião somente, ela se chamava de Clero e fazia parte do estado. A exemplo disto temos o artigo primeiro do Código Comercial Brasileiro, que proíbe a mercancia, o ato de praticar comercio entre outros os clérigos que fazem parte do estado e as mulheres casadas sem a permissão do marido. Isto bem recente, nos primeiros anos da republica no inicio do século XX. Sendo assim, mesmo que veladamente coube ao clero, imputar a idéia que o povo negro escravizado, não tinha alma e fortalecendo o poder produtivo das Fazendas Coloniais, a um custo baixo para que os Barões do Café, da Borracha e da Cana de Açúcar, pudessem ter muito lucro, afinal eram eles que bancavam literalmente o Império. Mesmo que o Estado Brasileiro, tenha assumido pelo fim da escravidão e o nefasto comercio de pessoas, após a independência em 1822, perante varias nações européias, foi a partir deste período até 1850, que foram feitos os maiores e perversos contrabandos de escravos no Brasil, a sua maior parte no Estado do Rio de Janeiro, inclusive realizados por negros libertos, também, que traiam e vendiam os melhores e mais fortes trabalhadores de seu próprio povo. A exemplo disto, temos a figura folclórica de Dom Obá, um negro que possuía diversos escravos e estava ligado ao comercio imoral de escravos junto aos coronéis.


Texto original de Ricardo Vianna Barradas.


quarta-feira, junho 15, 2022

JOIAS BURLE MARX EM OURO E PRATA.


JOIAS BURLE MARX

EM

OURO e PRATA






Anel em prata lisa pequeno com pedra brasileira cabochão 
 BURLE MARX.





Par de brincos em ouro 750 com águas-marinhas lapidação livre
BURLE MARX





Anel em prata lisa 950 com citrino em lapidação clássica facetada.
BURLE MARX








Anel em prata 950 lisa com citrino e brilhantes em lapidação clássica
com banho de ouro 24 kt - vermeil.
BURLE MARX







 

quarta-feira, julho 21, 2021

JOIAS BURLE MARX - A VERDADEIRA HISTORIA DO MITO DO MERCADO DE ARTE BRASILEIRO.

 


JOALHERIA BRASILEIRA


DAS JOIAS


BURLE MARX


HAROLDO e ROBERTO



A ignorância e a insensatez junto com o não conhecimento das técnicas no mercado de arte no Brasil, deve ser considerada, imensa. Como ocorre no caso do mundialmente famoso artista Roberto Burle Marx. Além dos renomados projetos de arquitetura, paisagismo e urbanismo, o artista se dedicou ao desenho em varias técnicas das quais não conhecia. Entre elas a cerâmica, a vidraria, a estamparia e a joalheria. Esta ultima por sinal tão valorizada, as famosas jóias Burle Marx, ele só desenhou e nunca fez. Quem fazia era o renomado joalheiro da família, Haroldo Burle Marx ou H. Burle Marx, que tinha o contraste Burle Marx, que teve uma loja comercial de jóias, na rua Rodolfo Dantas, numero 6, no bairro de Copacabana e mantinha uma oficina no centro da cidade, em um dos andares do edifício Odeon. Sim o Roberto nunca fez jóia alguma só o Haroldo e o Veneziano, com seus ajudantes que fizeram. Eu particularmente fui a esta oficina por diversas vezes pois tinham por habito adquirirem gemas brasileiras para lapidarem. Nada errado, assim como a serie das jóias do Roberto Burle Marx, desenhadas a giz em papel "canson" preto, confeccionadas por contrato pela famosa joalheria H. Stern, no Rio de Janeiro, O mercado, por ignorância sobrevive de mitos que ele fez, mas outros grandes nomes também não as fizeram como Picasso e Salvador Dali, 

e nem por isto as jóias valem menos. 


RICARDO V. BARRADAS       





ESTOJO DA LOJA DO H. BURLE MARX



JOIAS BURLE MARX


JOIAS BURLE MARX




JOIAS BURLE MARX




JOIAS BURLE MARX




JOIAS BURLE MARX


quinta-feira, maio 28, 2020

FALSO ANEL DE RUBI - ENTRE AS CIÊNCIAS JURÍDICAS







FALSO ANEL DE RUBI


Em minha modesta opinião como artista plastico joalheiro, lapidário e pesquisador atento de gemologia, sou a favor de trocar a pedra vermelha dos anéis de formatura dos bacharéis em ciências jurídicas no Brasil, por uma pedra preta. A razão que me orienta, para esta mudança é porque entre os anéis de formatura dos advogados grandes e pequenos, delegados estaduais e federais, juízes, promotores e mesmo desembargadores que eu já vi, que deveriam ser um rubi indiano da cidade de Burma, da característica sangue de pombo, que é uma das gemas muito raras e caras do mundo, a gema vermelha quase sempre é substituída por uma pedra sintética falsa, muito brilhante mas ordinária que não vale mais que alguns centavos. Por esta razão, humildemente acho que exista tanta falsidade e erros subsequentes na justiça brasileira nos portadores destes falsos anéis. Penso eu, com meus botões e meus pensamentos, se fosse mudada a pedra para alegoria do anel jurídico para a cor preta, poderia ser usada uma verdadeira e original ônix feito de ágata, bem abundante no Brasil, que custaria poucos reais mas sem qualquer coligação e vibração de aparentar para a sociedade, a partir do anel, o que na verdade, por justiça e imparcialidade, não é.


sábado, dezembro 04, 2010

Perícia Judicial e Extrajudicial - Avaliações e Consultorias.



CONPEJ
Dr. Ricardo Barradas é filiado ao Conselho Nacional de Peritos Judiciais.





Perícias Judiciais e Extrajudiciais - Assistência Técnica - Consultorias.
Avaliação para efeito de Seguro, Inventários e Garantias.
Artes Plásticas - Pinturas e Esculturas.
Joalheria - Ourivesaria e Prataria.
Antiguidades - Históricas, de Estilo e de Época.

periciajus@gmail.com



segunda-feira, dezembro 21, 2009

CAIO MOURÃO,Saudades....das alquimias dos metais.

Meu Grande Amigo e Mestre Caio Mourão.
Nestes espaços de final de ano,ficamos mais saudosos.
Via movimentação das festas de fins de ano,tanto pela celebração do Natal,e pela virada de ano,ficamos sensibilizados perantes alguns queridos entes que viajaram para nunca mais voltar.Nesta semana particularmente,ao arrumar alguns papéis antigos,deparei me com alguns "croquis" de projetos dee peças de joalheria,
que realizamos,juntos.Com certeza pelo papel,que estão,por mais que não me
lembrava tão bem,foram executados em uma das mesas do também falecido,
Bar e Restaurante RIO NÁPOLIS,berço de tantos encontros de fim de noite,
do ambiente,intelectual,cultural e artístico na noite do Rio de Janeiro.
O RioNápolis,ficava na Praça General Osório,em Ipanema,nas imediações,
dos Bares Jangadeiros,e posteriormente o Varanda,lugares de tantas resoluções
rápidas e genias para tantos problemas banais,que etilicamente viviamos,
no dia a dia,de Arte e Cultura,no Rio de Janeiro,naquela época dos anos
70 a 90 do século passado.Nesta forma de falar,parece que foi longe demais.
Ainda me lembro,do começo de nossa amizade,em alguns instantes,percebemos que falavamos o mesmo "Idioma da Mágia dos Metais".Eu mais da pedra para o metal,e Caio Mourão mais do metal para a pedra,mas em total consonância.
Outra grande paixão,que logo se pronuciou entre nós,foi nosso amor pelas
Artes Plásticas,a tal ponto,que depois de tantas insistências,e persitências minha para que Ele,volta-se a produzir,após alguns anos,
meio que dificilmente,fosse,voltou a faze-lo,ainda guardo com carinho,
o primeiro óleo sobre tela,que realizou,nesta nova fase,que a mim,
me presenteou.Sinceramente,até acho que Ele,pensou que eu fosse,
parar de cobrar sua retomada de produção artística,quando estivesse de posse
de meu trabalho ofertado.Mas ainda bem,que não foi nada disto,que aconteceu,
em pouco tempo,o repousado Artista Plástico das telas,voltava em pleno vigor
produtivo,e logo após iniciou a nova fase das Esculturas em Aço,
derivadas deste mesmo momento.
Dentre todos os Artistas Brasileiros que Caio Mourão acompanhou,dois lhe
marcaram muito em sua formação e respectivamente me sua obra,
A.Bonadei e A.Bandeira.
Nós até brincavamos,entre nós,sem qualquer cerimônia,
e Caio Mourão,sempre bem certo disto,
dos e sobre os 3 "B" da sua Vida nas Artes Plásticas,
"B" de Bandeira,Bonadei e de Barradas,
assim
falava Caio Mourão,para mim,tantas vêzes que saiamos para
jantarmos,bebericar,arquitetar e filosofarmos,
nas noites quentes cariocas em pleno Bairro de Ipanema.
Todo ambiente da Arte Jóia no Brasil,não é muito fácil.
A própria notoriedade,
de quem foi Caio Mourão,e sua importância para a Arte Joalheira no Brasil,
ainda não ficou,bem fundamentada e tem muito ainda para ser conquistada.
Toda Escola e Graduação de Designer de Jóias no Brasil,
deveria dar o título "Honoris Causae",a CAIO MOURÃO,
in memorian,
para que a mesma,fosse completa,e tivesse capacitação plena,
dentro da Criação,do Desenho e da Produção de Jóia no Brasil.
Este é um dos braços,já idealizados e em desenvolvimento por mim,
no atual PROJETO da JOALHEIRIA BRASILEIRA,que venho
desenvolvendo a vários anos.
Todo ambiente é muito lento,lembro me bem quando tentamos,criar
uma Sociedade dos Artistas Plásticos Joalheiros Brasileiros,
Eu e Caio,
e outros colegas de ofício no RJ,
e um grupo dos irmãos Matar,da Escola Nova,
de São Paulo,
entre outros representantes daqui,como Alfredo Grosso,Cristina Cid,
e tantos outros bons profissionais,de outros estados brasileiros,tão ativos,e interessados na causa também.
Mas após algumas incansáveis reuniões,nada saiu,do papel.
Existe sim ainda uma grande barreira comercial,que "blinda"
o correto conceito da Arte-Jóia ou
Jóia de Arte,implementada no Brasil,pelo Caio e por tantas vêzes,
doutrináriamente ampliada por nós,e tantos outros filhos da mesma Escola,
que hoje é conhecido como Atelier Mourão.
O Atelier Mourão,
que hoje tem a sua frente a sua filha,a grande joalheira Paula Morão,
a herdeira legítima,criativa e competante da Obra do Grande Mestre,
Caio Mourão.
Uma tarefa difícil,mas Caio nunca teve a menor dúvida que a Paula,
fosse não conseguir,e seguir.
Sempre me falou,que Ela,a Paula iria mesmo,
fazer ainda mais,
"....ao completar o legado inciado por Ele e criar ainda mais,
para Arte Joalheira no Brasil."
E assim,está ocorrendo:
A Jóia Arte e a Art-Jóia,vive,corretamente entre nós,
em tempos difíceis de autoralidades.
A Jóia com autoria,com responsábilidade e assinatura,
sobrevive e caminha para frente.
O que nos parece cada vêz mais incorreto,é o que constumamos encontrar,infelizmente ainda em várias vitrines pelos Shoppings,
de grande transito turístico,pelo RJ e pelo Brasil,inteiro.
São mercadorias a preços caros,e constitutivamente incorretas.
Criações vergonhosamente cópiosas,
obras derivadas
sem consentimento algum,
derivações bem semelhantes,para não falar em iguais,
as de Grandes Jolheiros Internacionais,
sem assinaturas,criações e responsabilidades,alguma.
Não estou aqui,falando exatamente sobre ninguém.
Só exteriorizando,opiniões pessoais,sobre um assunto,
e dentro de um ambiente extremanete familiar,
interrelacionado com minha própria formação artística,e minha amizade,
de tantos anos com os "Mourão."
Um pouco mais sobre a vida e a obra do
Artista Plástico Joalheiro brasileiro Caio Mourão,
pode ser lido,em seu livro:
"PRATA DA CASA,estórias de um funileiro".
CAIO MOURÃO,RJ,2003.