Caminhem pela Arte e Cultura.

Profile Graphics, Page Graphics
Mostrando postagens com marcador Pesquisador de Arte e Cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pesquisador de Arte e Cultura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, dezembro 17, 2024

RAPHAEL FREDERICO - HISTORIA DAS ARTES PLASTICAS DOS PINTORES NEGROS NO BRASIL.





RAPHAEL FREDERICO







Raphael Frederico ou Rafael Frederico (1865-1934)
Foi um artista negro que nasceu no Rio de Janeiro e atuou como pintor e professor. Matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA) em 1877 com apenas 12 anos de idade. Perdeu o pai ainda na infância, e sua avó ofereceu custear seus estudos como artista desde que freqüentasse a Escola Naval, porém, a oferta foi recusada. Morava com a mãe no morro de São Januário, no Rio de Janeiro. Devido à situação precária e de extrema pobreza em que vivia teve que interromper seus estudos diversas vezes.
Rafael Frederico foi aluno de Victor Meirelles e Agostinho Jose da Motta e esteve presente num período importante das reformas da academia, como a passagem da Academia Imperial para Escola Nacional de Belas Artes. Concluiu seu curso em 1890. No mesmo ano freqüentou e expôs no Atelier Livre juntamente com Eliseu Visconti, Fiúza Guimarães e França Júnior.
Em 1893, concorrendo com o pseudônimo “Brasil” no concurso anual da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) conquista o prêmio viagem à Europa. Logo o primeiro artista negro a conquistar o maior premio da academia no século XIX.
Em 1894 vai para Paris e depois, em 1896, vai para Roma onde realiza estudos e cópias. Trabalha como assistente de Zeferino da Costa nos projetos da Igreja da Candelária do Rio de Janeiro. Em seu repertório estão incluídos a pintura religiosa, retratos, natureza morta, paisagens, além de estudos de nus. Suas obras são raríssimas, de valores inestimáveis e por isto quando aparecem alcançam altas cifras junto aos mais exigentes colecionadores de arte brasileira.
A obra aqui apresentada, é um óleo sobre tela, oval com 28 x 23 cm, assinado no meio direito R. Frederico, Roma 1896. Com titulo " il sogno della ragazza." ou
" O sonho da menina ". Acompanha uma bela moldura francesa século XIX, entalhada a mão com folhas de acanto burilada a ouro.

Texto e obra da Coleção Ricardo V. Barradas.




 

sábado, novembro 16, 2019

"JOIAS DE CRIOULA" - A ourivesaria do período escravocrata no Brasil - ARTE NEGRA NO BRASIL




" JOIA DE CRIOULA "

Existem alguns capítulos a serem escritos sobre o período escravocrata no Brasil, entre eles está o que diz respeito as " Jóias de Crioula", a alguns anos tão apreciados por diversos colecionadores no Brasil e no Exterior. Muitas das vezes, muitos crêem que estes típicos adornos em prata e ouro, eram propriedades dos escravos que serviam por trabalhos domésticos a Casa Grande, mas na verdade estes adornos valiosos pertenciam ao Senhor que os compraram, e de forma vaidosa de ostentar sua opulência e riqueza, quase que obrigavam os " escravos domésticos" a usarem, para poder dizer aos visitantes que nas suas propriedades até os animais desfilam com preciosidades. Outro detalhe que me parece muito importante, e que eu humildemente nunca vi sendo abordado, é quanto a feitura destes originais adornos, que muitas das vezes seguem elementos e alegorias próprias da mitologia religiosa e cultural africana. Devemos lembrar que os oficiais de ourivesaria na época eram quase em sua grande maioria portugueses, temente a Deus e as regras rígidas do Clero e por conta disto e de outras questões sociais não se prestariam ao papel de confeccionarem adornos muitas vezes com adereços pagãos, demoníacos, hereges segundo a doutrina firme da Santa Madre Igreja, por valor que lhe fosse oferecido. Sendo assim, tais enfeites e adereços de uma forma geral hoje conhecidos como " Jóia de Crioula", não foram feitos pelos oficiais ourives portugueses e sim pelos auxiliares negros, que possuíam uma certa autonomia de criação, que eram chamados de " escravos de ganho ", por que de certa forma eram recompensados pelo Oficial Ourives, todas as vezes que confeccionavam adornos bem criativos dentro de sua própria fundamentação regional, artística, cultural e religiosa pagã quando entregues e por vezes eram elogiados pelos "Senhores Contratantes". Sendo assim, fica desmistificado como estas jóias tem em sua grande maioria elementos pagãos em dissonância criativa com os padrões da oficial ourivesaria da época no Brasil. A exemplo disto, podem ser vistos, chifres, tambores, figas, cuias, cabaças, botas, chaves, cadeados, bonecos de feitiço, frutas, peixes, cachimbos, instrumentos musicais nativos, conchas, búzios, garrafas, chicotes entre tantos outros elementos próprios da cultura negra da época.


Curador e Pesquisador Ricardo V. Barradas          .






Coleção Ricardo V. Barradas.






Coleção Ricardo V. Barradas.






Coleção Ricardo V. Barradas.







Coleção Ricardo V. Barradas.