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quarta-feira, janeiro 07, 2026

RICARDO VIANNA BARRADAS - Arte, Cultura e Identidade.




 Ricardo V. Barradas (Ricardo Vianna Barradas)

é um intelectual carioca contemporâneo com forte atuação no cenário

artístico, cultural e social do Estado do Rio de Janeiro.



Embora sua carreira seja multifacetada, sua relação com a Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, vem de longa data, destaca-se por projetos de inclusão social e parcerias estratégicas, principalmente para numerosa população que vive, na base da pirâmide social brasileira.
Perfil e Atuação

Identidade Profissional:
Atua como advogado autoral, maçom, curador de arte, marchand, consultor de arte e cultura, avaliador, escritor, ensaísta e pensador.
Foco Cultural: É o curador permanente do Museu Maçônico Pelicano do Rio de Janeiro.
Projetos Sociais: Reconhecido como o primeiro marchand carioca a desenvolver projetos de arte pública no Rio de Janeiro voltados para a inclusão social e a redução de bolsões de miséria.
Conexões na Zona Oeste: Sua atuação na região, que abrange bairros como Barra da Tijuca, Sepetiba, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz, é marcada por parcerias históricas com a Arquidiocese do Rio de Janeiro (sob a diocese do Cardeal Dom Eugênio Salles e Dom Eusébio), pastorais da juventude, penal e nômade e a RIOART de Gerardo Mello Mourão, pai do famoso arista plástico Tunga, visando o desenvolvimento humano e oportunidade de trabalho autônomo através da cultura.
Foi o desenvolvedor das Casas Brasis nos primeiros CVTs Centros de Vocações Tecnológicas, como na implementação de polos "metal-mecânico" de beneficiamentos de matérias primas que em curso para exportações, que passam pela Zona Oeste.
Foi consultor convidado de arte, cultura e historia durante muitos anos para o Clube da Medalha, da Casa da Moeda do Brasil.
Em 2026, ele continua sendo uma figura ativa muito conhecida na promoção do trabalho, da dignidade, moral e do bem-estar social, freqüentemente dando palestras, compartilhando reflexões sobre a gestão urbana e da identidade artística e cultural das periferias da "Cidade Maravilhosa" e em plataformas digitais nacionais e internacionais.

Ricardo Vianna Barradas, foi amigo de vários artistas brasileiros e marchand de muitos deles, tais como Adelson do Prado, Adilson Santos, Roberto de Souza, Farnese de Andrade, Sylvio Pinto, Bustamante Sá , Moacir de Andrade, Tobias Vsconti, Francesco Brunocilla, Ricardo Newton, Alexandre Rapopot, Jose Maria Dias da Cruz, Rafaelo Castelani, Carlos Martins, Antônio Grosso, Caio Mourão, Manoel Santiago entre tantos outros.

Sobre sua amizade com Manoel Santiago e Moacir de Andrade, e seu amor pela Amazônia, vale destacar que.
Essa observação é fundamental para compreender a autoridade de Ricardo V. Barradas como um dos maiores especialistas na obra de Manoel Santiago (1897-1987).
A relação entre os dois foi além da admiração artística, tornando-se um convívio pessoal e intelectual profundo que reflete nos seguintes pontos:
Legado e Autenticidade: Por ter freqüentado o atelier de Santiago no Parque Guinle (Laranjeiras, RJ) até o fim da vida do artista, Barradas acumulou não apenas um acervo físico de obras originais, mas um "acervo de memórias" sobre as técnicas, as cores e a filosofia de Santiago. Isso o torna um perito essencial para a autenticação e catalogação da produção do mestre amazonense.
O "Panteão" da Arte Amazonense: Barradas freqüentemente posiciona Manoel Santiago ao lado de Moacir Andrade como os pilares que elevaram a estética amazônica ao cenário nacional e internacional. Ele descreve a obra de Santiago como uma tradução da alma brasileira, onde a luz e a exuberância da floresta se encontram com a técnica refinada adquirida no período em que Santiago viveu na Europa.
Preservação Histórica: Esse convívio direto permitiu que Ricardo V. Barradas compreendesse as nuances da transição estilística de Santiago — desde suas obras premiadas na década de 1920 até sua fase mais madura. O acervo mantido por Ricardo V. Barradas é visto como um guardião da história visual da Amazônia e do Rio de Janeiro do século XX.
Em suma, Ricardo V. Barradas não é apenas um colecionador de Manoel Santiago; ele é o testemunha ocular de seu processo criativo, o que confere a ele um papel vital na manutenção da memória original desse artista que é considerado um dos maiores coloristas e impressionistas da arte brasileira.


quinta-feira, novembro 20, 2025

Joalheria escrava ou jóias de crioulas e ambiente da escravidão.

 





 Joalheria escrava ou jóias de crioulas e ambiente da escravidão. Se referem ao conjunto de jóias e adereços confeccionadas entre os séculos XVIII, XIX e início de XX no Brasil, especialmente nos estados da Bahia, Minas Gerais e Pernambuco, e que eram utilizadas exclusivamente por mulheres negras na condição de escravizadas, alforriadas ou libertas. Nos últimos anos, muito se fala sobre as Jóias de Crioulas, mas com pouca conotação de parâmetros de valores sobre a escravidão propriamente dito. Eu particularmente, sempre achei que o termo escravidão para nominar o sistema escravocrata do comércio abusivo de seres humanos, um hiato esbranquiçado inventado para amenizar o grande erro, dos ciclos comercias da cana-de-açúcar e do café nos períodos colonial e imperial brasileiro. Muitos autores afirmam, que o comércio de negros, intensificou após a independência do Brasil em 1822, onde a nação brasileira para reconhecimento de liberdade estrangeira, deixando de ser colônia de Portugal, assumiu no papel “ para inglês vê ”, como se diz popularmente o fim da escravidão. A partir de então, desde 1822 ate 1888, em tese, tenha intensificado em muito o comércio de negros, por contrabando já que não era mais tão legal, quantitativamente e por valorização monetária enquanto mercadoria para tração animal negra. Curioso, a se pensar, quanto custava em valores de hoje, um escravo na época. Alguns autores narram, que no mercado escravagista no Brasil em 1800, o preço médio de um escravo variava consideravelmente, mas era comum que um homem nascido na África custasse cerca de $96.700 réis e uma mulher africana, $82.909 réis. Esses valores eram aproximados e podiam variar bastante dependendo de fatores como a idade, a saúde, habilidades e origem do escravo. Comparativamente, o valor monetário de um escravo em relação a um dos metais mais nobres na história das civilizações como o ouro, podemos dizer que entre 1854 e 1865 com o valor de 1 conto de réis (que era 1 milhão de réis) comprava se em media 1 escravo. E que 1860, no Brasil com 1 conto de réis (que era 1 milhão de réis) comprava 1 kg de Ouro. Por conta disto que alguns autores, descrevem que o valor de um escravo no Brasil do século XIX, ajustado pela inflação, poderia equivaler a valores que hoje variam de dezenas de milhares a centenas de milhares de reais, como estimações que chegam a R$ 500 mil em alguns casos.


Para saber mais acessem o link abaixo.


https://www.scribd.com/document/951778130/Joias-de-Crioulas-Ambiente-Escravidao

sexta-feira, outubro 31, 2025

Jóias de Crioulas de Coco e Ouro de Diamantina Do Tijuco

 


https://www.scribd.com/document/941087222/Joias-de-Crioulas-de-Coco-e-Ouro-de-Diamantina-Do-Tijuco-por-Ricardo-V-Barradas

JOIAS DE CRIOULAS de Diamantina


















domingo, julho 07, 2024

EMMANUEL ZAMOR

EMMANUEL ZAMOR

SALVADOR (BA), 1840 - CRÉTEIL, FRANÇA, 1917

Emmanuel Zamor teve vida conturbada. Adotado por Pierre Emmanuel Zamor e por sua esposa Rose Neveau, foi levado à França em data desconhecida, onde aprendeu música e desenho, tendo freqüentado, ao que parece, a Academia Julian em Paris, tornando-se pintor e cenógrafo. Pouco estudada, sua obra só passou a ser conhecida após a realização de uma exposição retrospectiva organizada pelo MASP em 1985. Seu trabalho é marcado por pinturas de naturezas-mortas e paisagens. Para o crítico José Teixeira Leite, trata-se de um artista em que “repercute a pálida influência dos pré-impressionistas da Escola de Barbizon, […] senhor de uma paleta tristonha a realçar um sofrido desenho, estilisticamente a meio caminho entre o Realismo e o Romantismo”, segundo o site do Museu Afro Brasil.








EMMANUEL  ZAMOR




                                                  EMANNUEL ZAMOR 

  "Duas crianças negras na calçada"

 óleo s tela colado em Eucatex  

assinado cid  39 x 25 cm


Coleção Ricardo V. Barradas





 

Museu Afro Brasil, São Paulo, SP, Brasil


Museu de Artes Brasileiras da Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP, São Paulo, SP, Brasil 

Museu de arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP, São Paulo, SP, Brasil 

Coleção Ricardo V. Barradas - Rio de Janeiro, RJ, Brasil.




Emmanuel Zamor I textos P.M. Bardi, Lisetta Levi I Museu de Arte Assis Chateaubriand I 24 páginas I antigo catálogo editado em 1985










sábado, junho 29, 2024

PRINCESA ISABEL DO BRASIL GUERIDOM IMPERIAL ISABEL CHRISTINA

 





GUERIDOM IMPERIAL ISABEL CHRISTINA





Magnifico Gueridom Imperial de Vossa Alteza Real Princesa Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, 

 Princesa Imperial Isabel Cristina do Brasil.

Móvel do final do século XVIII e início do XIX em madeira nobre vinhático no melhor estilo neoclássico europeu produzido por mestre ebanista.

Distingue se por apresentar alma, eixo de ferro forjado e batido interno com acabamento em rosca que finaliza por tacha de igual material próprio dos renomados moveis deste período, pois então e composto de três partes, a serem encaixadas montando tampo, coluna e pês a estrutura.

Na parte inferior do tampo apresenta bolacha também em vinhático com a marca imperial gravada a fogo I C Isabel Cristina coroada, o símbolo imperial próprio de todos os moveis imperiais do então Paco Isabel, Palácio Isabel, hoje então Palácio Guanabara.

O Palácio Guanabara, a última jóia da Coroa, o Palácio Isabel, Paço Isabel, em Laranjeiras, que passou a ser residência imperial logo após o casamento, da Princesa Isabel de Orleans e Bragança e o Conde D’Eu, doravante confiscado pela República após a sua proclamação, em 15 de novembro de 1889.

No entanto, desde o início da ocupação confiscada a princesa e o conde classificaram o ato, em 1894, como esbulho, e, no ano seguinte, em 24 de setembro, entraram na Justiça para reaver a posse da propriedade com o embargo postulado pelo famoso jurista magistrado, ex ministro da justiça do império, Dr. Antônio Ferreira Viana, que mesmo com a proclamação da república se manteve fiel as causas patrimoniais imperiais no Brasil. 

Sendo assim, mesmo que ate hoje como diz o próprio bisneto da Princesa Isabel, o advogado Dr. Alberto de Orleans e Bragança, também professor de Direito, quem acompanha hoje o andamento do processo. Ele diz que a propriedade foi invadida e tomada a força por tropas militares republicanas, que expulsaram os empregados. A família estava no exílio na Europa. Tomaram uma propriedade de maneira ilegal, violenta, e isso nunca foi resolvido nos tribunais e desde o início, a princesa Isabel Cristina pediu ao Sr. Lassan - Mordomo Mor do Palácio Isabel que retira se este móvel imperial de seus aposentos e oferta se ao jurista Ferreira Viana em agradecimento por sua lealdade ao Império Brasileiro mesmo com com titulares no exílio.

Temos que seja publico e notório, entre os pesquisadores e conhecedores das pecas imperiais brasileira, que dentre os moveis imperiais que fazem parte da mobiliaria imperial do antigo Palácio Isabel, este seja o único exemplar fora de tombamento e pertencente legalmente a uma coleção de arte e antiguidades 

históricas monárquicas privada no Brasil.



Procedências

Herdeiros do Jurista Antônio Ferreira Viana RJ

Rudinel Antiguidades | Rudenel Vicente Do Couto RJ

Coleção Cláudio Borba Ferreira RJ

Coleção de Arte Ricardo V. Barradas RJ




móvel imperial Princesa Isabel 


móvel imperial Princesa Isabel 



móvel imperial Princesa Isabel 



móvel imperial Princesa Isabel 



EMMANUEL ZAMOR


         EMMANUEL ZAMOR






Emmanuel Zamor 

1840 - 1917

  Óleo sobre tela   

"Na janela , a espera"  

41 cm x 26 cm



Coleção Ricardo V. Barradas



 Emmanuel Zamor, pseudônimo de Manuel Pierre Hubert Zamore,[3] também conhecido como Emmanuel Hector Zamor (Salvador, 19 de maio de 1840 - Créteil, Val-de-Marne, 6 de março de 1919), alcunhado Le petit brésilien, foi um desenhista, pintor, litógrafo poeta e letrista de canções brasileiro radicado na França.[2][3]

Especializou-se na pintura de paisagens e naturezas mortas, sofrendo influências dos artistas ligados à escola de Barbizon e dos impressionistas.[5]

Vida e obra

Nascido em 1840, na Bahia, Emmanuel Zamor teria sido adotado pelo casal Manuel Pierre Zamore (1810-1868), cozinheiro, "nascido na costa da África, perto do Congo", e Félicité Rose Neveu (1816-1857), costureira, nascida em Mamers, Sarthe[6][4] O casal não tinha filhos: alguns anos antes, entre 1836 e 1838, havia perdido duas filhas, ambas mortas com menos de um ano de idade. Emmanuel foi batizado na paróquia de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador.

Na Europa, já em c. 1845, o menino iniciou estudos de música e desenho. Frequentou a Academia Julian de Paris e começou a trabalhar como cenógrafo. Presume-se, por questões estilísticas, que Emmanuel tenha entrado em contato nessa época com os pintores de Barbizon e com os artistas que logo seriam definidos como impressionistas: Cézanne, Renoir, Degas, Pissarro, Sisley e Monet.[2]

Em 1860, Emmanuel retorna à terra natal, estabelecendo-se em Salvador. Sua pintura, marcada pela sóbria predominância dos tons verde-musgo e ocre, adquire então uma uma nova luminosidade e colorido, onde sobressaem tons de vermelhos e alaranjados, assimilados da natureza e da atmosfera tropicais. Um incêndio em sua residência, entretanto, destruiu quase totalmente a sua produção local. Com a morte do pai adotivo, em 1862, Zamor retorna definitivamente à França.[2]

A partir de então, tornam-se numerosas as lacunas em sua biografia. Há uma imagem do artista atribuída a Nadar,[5] fotógrafo que registrou os mais importantes intelectuais e artistas da França do final do século XIX, o que atestaria um certo prestígio social e algum reconhecimento no cenário artístico europeu. Há notícias a seu respeito que o descrevem como casado e sem filhos, vivendo em situação de penúria, usando eventualmente seus trabalhos como combustível para manter-se aquecido no inverno.[2]

Emmanuel Zamor casou-se duas vezes: primeiro, em 13 de fevereiro de 1873, com a pianista e compositora Olympe Léontine Lecornu (1848-1881), que morreria, aos 33 anos, ao dar à luz o filho do casal, Antoni Manuel (1881 - 1960), que também seria músico, além de romancista e poeta. No catálogo da BnF, há registro de canções compostas por Emmanuel Zamor fils, em parceria com Emmanuel Zamor pai, ou seja, Antoni Manuel teria adotado nome artístico idêntico ao do pai.[3] Em 19 de fevereiro de 1882, Emmanuel voltaria a se casar, agora com a modista Eugénie Kollmann (1837-1916).[7] Por ocasião de sua morte, o pintor estava novamente viúvo. [3]

Emmanuel Zamor seria ignorado pela crítica especializada durante as décadas seguintes e permaneceria desconhecido na historiografia brasileira até o fim do século XX. Em 1984, o marchand Rafael Kastoriano "redescobriu" o pintor durante um leilão. Intrigado pela obra de Zamor, Kastoriano arrematou todos os 37 trabalhos disponíveis do artista após descobrir que se tratava de um brasileiro. As obras de Zamor foram exibidas pela primeira vez ao público no Museu de Arte de São Paulo, em 1985. A Fundação Armando Álvares Penteado dedicou outra mostra, em 1990.[5][2] Pietro Maria Bardi elogiou sua "viva sensibilidade"


Fonte https://pt.wikipedia.org/wiki/Emmanuel_Zamor





sábado, novembro 16, 2019

"JOIAS DE CRIOULA" - A ourivesaria do período escravocrata no Brasil - ARTE NEGRA NO BRASIL




" JOIA DE CRIOULA "

Existem alguns capítulos a serem escritos sobre o período escravocrata no Brasil, entre eles está o que diz respeito as " Jóias de Crioula", a alguns anos tão apreciados por diversos colecionadores no Brasil e no Exterior. Muitas das vezes, muitos crêem que estes típicos adornos em prata e ouro, eram propriedades dos escravos que serviam por trabalhos domésticos a Casa Grande, mas na verdade estes adornos valiosos pertenciam ao Senhor que os compraram, e de forma vaidosa de ostentar sua opulência e riqueza, quase que obrigavam os " escravos domésticos" a usarem, para poder dizer aos visitantes que nas suas propriedades até os animais desfilam com preciosidades. Outro detalhe que me parece muito importante, e que eu humildemente nunca vi sendo abordado, é quanto a feitura destes originais adornos, que muitas das vezes seguem elementos e alegorias próprias da mitologia religiosa e cultural africana. Devemos lembrar que os oficiais de ourivesaria na época eram quase em sua grande maioria portugueses, temente a Deus e as regras rígidas do Clero e por conta disto e de outras questões sociais não se prestariam ao papel de confeccionarem adornos muitas vezes com adereços pagãos, demoníacos, hereges segundo a doutrina firme da Santa Madre Igreja, por valor que lhe fosse oferecido. Sendo assim, tais enfeites e adereços de uma forma geral hoje conhecidos como " Jóia de Crioula", não foram feitos pelos oficiais ourives portugueses e sim pelos auxiliares negros, que possuíam uma certa autonomia de criação, que eram chamados de " escravos de ganho ", por que de certa forma eram recompensados pelo Oficial Ourives, todas as vezes que confeccionavam adornos bem criativos dentro de sua própria fundamentação regional, artística, cultural e religiosa pagã quando entregues e por vezes eram elogiados pelos "Senhores Contratantes". Sendo assim, fica desmistificado como estas jóias tem em sua grande maioria elementos pagãos em dissonância criativa com os padrões da oficial ourivesaria da época no Brasil. A exemplo disto, podem ser vistos, chifres, tambores, figas, cuias, cabaças, botas, chaves, cadeados, bonecos de feitiço, frutas, peixes, cachimbos, instrumentos musicais nativos, conchas, búzios, garrafas, chicotes entre tantos outros elementos próprios da cultura negra da época.


Curador e Pesquisador Ricardo V. Barradas          .






Coleção Ricardo V. Barradas.






Coleção Ricardo V. Barradas.






Coleção Ricardo V. Barradas.







Coleção Ricardo V. Barradas.





segunda-feira, agosto 19, 2019

JOIA DE CRIOULA - ARTE E CULTURA NEGRA NO BRASIL.








Dentro da verdadeira historia da ourivesaria e joalheria na historia social escravocrata no Brasil, existe ainda uma interpretação equivocada quanto a fundamentação e motivação de toda uma serie de adornos confeccionados em metais preciosos, contas, miçangas, cocos, madeiras e de algumas gemas naturais em contas e canutilhos, comumente conhecidas hoje como " Joia de Crioula " entre os mais exigentes colecionadores. São na sua grande maioria joias femininas que eram exibidas pelas escravas domesticas que habitavam a pequena senzala, que não era a senzala da fazenda e sim uma pequena área demarcada com algum utilitário conforto quase ligada a Casa Grande, onde ficavam os espécimes que serviam as funções domesticas maiores e menores da família proprietária. Esta categoria ora equivocadamente vista como privilegiada de " escravos e escravas" domésticos, por mais que desfilassem com tais adornos pelo corpo, os mesmos não os pertenciam e tao pouco destacavam os usuários como preferidos ou especiais de alguma forma de status pela comunidade escrava ou escravocrata. Na verdade tais adornos, revigoravam e exaltavam o poderio econômico e financeiro dos proprietários dos escravos - que em muitas vezes alegavam que até os espécimes domesticados ostentavam claros sinais de seu vasto e imperativo poder. Por conta disto, todos os ourives, prateiros e oficiais que confeccionavam estes tipos de adornos seguiam um verdadeiro manual de possibilidades do que era permitido fazer e utilizar e o que não era admissível de forma alguma para a composição e confecção de tais elementos. Diante disto os verdadeiros exemplares originais de época conhecidos, são em si bem semelhantes e seguem toda uma linha entrelaçamentos, amarrações e acabamentos bem peculiares. Da mesma forma que podemos distinguir as múltiplas criações que são realizadas neste período e nesta função com o uso exagerado de bolas ocas confeitadas com círculos de aramados retorcidos, correntes com elos portugueses e ora por outra suportes e alcas adornadas com pássaros na representatividade do espirito santo, da fé católica, mesmo que exibidos alegoricamente por aqueles que eram desprovidos de alma. Neste caso especifico, vale lembrar que não por uma questão de valor financeiro do metal simplesmente mas sim por uma questão de abundancia, oferta e facilidade de compra. A prata era sem duvida extremamente rara em solo brasileiro em contraponto as jazidas de ouro que eram encontradas por abundancia em diversas regiões. Por conta disto as " Joias de Crioulas" originais de época confeccionadas em prata são mais raras e de certa forma entre os exigentes e eruditos colecionadores deste período. bem mais procuradas e cobiçadas para compor suas respectivas coleções. Nos últimos anos algumas coleções particulares foram expostas ao publico e para a comunidade artística e cultural brasileira, e com isto este tipo de colecionismo ganhou os olhos de uma grande população de novos colecionadores, amantes, pesquisadores, interessados e admiradores destes ricos exemplares da cultura negra deste período. No entanto este tipo de conhecimento era hermético até pouco tempo como os saberes e conhecimentos de só de pouquíssimos pesquisadores e estudiosos da área cultural e durante muito tempo com o total desconhecimento da ourivesaria e de todo mercado de compra e venda, de joia usada no meio joalheiro nacional brasileiro. Razão pela qual levou a uma serie incontável de desmanche, destruição, aniquilamento e fundição exageradas de raros e belíssimos exemplares deste período só pela questão de reaproveitamento do material dos metais preciosos utilizados para em reaproveitamento banal a atenderem a demanda das confecção de novas joias em encomenda pelas classes privilegiadas financeiramente sem qualquer distinção, valor artístico, histórico e originalmente criativos. Diante disto, infelizmente muita coisa de nossa verdadeira historia da cultura negra do Brasil se perdeu ou melhor derreteu.